Photo © 2015 NPA/The Grosby Group
LACMA's 50th Anniversary Gala held at LACMA in Los Angeles, California on 4/18/15
In this photo:Jim Carrey

Jim Carrey está triste. E isso não é nada engraçado!

Photo © 2015 NPA/The Grosby Group LACMA's 50th Anniversary Gala held at LACMA in Los Angeles, California on 4/18/15 In this photo:Jim Carrey

[ precisamos levar a sério quando um gênio que nos fez rir a vida inteira perde o próprio sorriso ]

Somos dotados de exclusividades que nos tornam seres únicos perante a todos com quem convivemos e que, portanto, são capazes de nos descrever quando confrontados às características em nós que mais lhes chamam atenção.
É como se fôssemos mais conhecidos e/ou lembrados por uma particularidade que carregamos, seja no aspecto físico ou talento ou temperamento ou origem ou mico já pago, enfim.

Embora comum a qualquer um de nós, meros mortais, quando essa pauta gira em torno das celebridades é muito óbvio que ganhe peso 2, afinal, mais pessoas fazem parte do dia a dia das figuras públicas, e com isso sentem-se no direito de julgar o atributo que mais se destaca no famoso em questão para sempre mencioná-lo durante um papo informal com alguém que de repente desconheça o alvo do assunto.

E você, que novamente me dá a honra da leitura, é possível que já tenha ouvido falar desse homem aí da foto com olhar profundamente triste, certo?

Sim, sim… trata-se do inconfundível Jim Carrey. Certamente um dos astros mais famosos e queridos do cinema mundial.
E, na mesma intensidade com que você o conhece, aposto que raramente (ou nunca) tenha se deparado com uma foto dele sério, introspectivo, triste ou mau humorado – desde 1979, quando começou a fazer Stand-up Comedy lá em Toronto -, estou certo?

Assim como nós, cidadãos comuns, Carrey também dispõe uma marca que sempre vem à nossa cabeça quando falamos de sua pessoa. No caso dele, a palavra-chave que o descreve perfeitamente é: alegria.
E foi exatamente a ausência desse principal vestígio que me fez parar por alguns instantes em frente ao PC e dissertar um pouco para refletirmos a respeito dessa pessoa tão admirada.

Apesar de ser um fã assumido de cada trabalho que ele nos presenteia pelas telonas desde sua estreia em ‘A Hora da Família Sexo e Violência’ (1980), não costumo seguir nos portais de fofoca o que Jim Carrey faz ou deixa de fazer em sua vida particular.

Contudo, mesmo esquivando-se de notícias invasivas, me deparei recentemente com algumas matérias que, confesso, me causaram certo incômodo e preocupação com a saúde emocional e a tal felicidade que cerca (ou não) esse maravilhoso ator, mesmo eu não tendo nada a ver com isso.

– “Ex-namorada responsabiliza Jim Carrey em bilhetes suicidas” (O Fuxico/10.2016);

– “Mãe da ex-namorada de Jim Carrey denuncia ator pelo suicídio da filha” (G1/10.2016);

– “Depressão e suicídio: Jim Carrey preocupa família” (Blasting News/10.2016);

– “Jim Carrey tem evitado familiares e amigos em decorrência de forte depressão” (BOL/11.2016);

– “Jim Carrey prega sobre salvação em Cristo em centro de recuperação” (Gospel Prime/07.2017);

– “Jim Carrey, um coração partido e a pintura” (Update or Die/08.2017);

– “Jim Carrey surta em entrevista durante semana de moda” (UOL / 09.2017).

Essas são algumas das notícias a respeito do ator que vêm circulando nos últimos tempos, e que, atreladas ao semblante preocupante de suas aparições mais recentes, me deixaram com uma pulga muito chata atrás da orelha, já que isso tudo não me parece nada bom.

É como se estivéssemos prestes a testemunhar mais um filme de terror, desses vários roteiros com finais infelizes, melancolicamente protagonizados por figuras como Robin Williams, Chester Bennington, Heath Ledger, Kurt Cobain, Champignon, entre muitos outros.

Exagero? Talvez. Porém, é possível que todos os famosos acima citados ainda estivessem por aqui caso amigos ou parentes próximos tivessem pecado pelo excesso no carinho e na atenção à época mais complicada de suas vidas, que os levaram a cometer suicídio.

Hoje, aos 55 anos, Jim Carrey tem tudo para chegar as mais de 90 primaveras – e, obviamente, torço muito por isso -, pois, conforme disse, sou muito fã desse homem não apenas pelo exemplo de comediante que é, mas, principalmente, por me parecer à distância um ser humano também acima da média, humilde, batalhador, de bom coração, e que não chegou ao topo por acaso.

Mas não há como negar que ele tem sim apresentado sinais relevantes de que precisa de ajuda e necessita de cuidados especiais para que permaneça nos alegrando por muitos e muitos anos.

Estudos apontam que, quanto mais extrovertido e mais comediante é a pessoa, mais propensa a depressão ela está. Quanto maior sua capacidade em fazer sorrir, menor a possibilidade de que seu sorriso se estenda por um longo tempo. Desta forma, quando o riso de um palhaço visivelmente se apaga, é, indiscutivelmente, o momento mais preocupante do picadeiro.

Claro que junto ao lado obscuro e incógnito dessa nova fase de Jim Carrey, veio também o bônus para nos trazer uma ponta de esperança na recuperação do amável Máskara.

Pouco tempo atrás, ele mostrou ao mundo que o período moroso de sua vida o revelou ser um artista completo, através de belíssimas telas abstratas que pincelou e divulgou, na confecção de um grande boneco fantoche de Jeff Daniels, o eterno companheiro Débi, que ficou idêntico, e, por fim, em um vídeo que o mostra falando a um grupo de pessoas sobre Jesus Cristo como sendo seu salvador.

Mas nada chamou mais atenção dos fãs e da mídia do que a recente entrevista que cedeu ao canal ‘E!’, no tapete vermelho da Semana de Moda de NY, que soou controversa e rendeu milhões de visualizações na rede.

Petardos como “Isto aqui não tem sentido nenhum. Eu queria achar a coisa mais sem sentido à qual pudesse ir, e aqui estou” e “Eu não existo. Você não existe e não é nada além de ideias. Há apenas coisas acontecendo” pegou a todos de surpresa, deixando no ar a pergunta sobre quem era o Jim Carrey que ali estava, ironizando o evento e desferindo frases aparentemente desconexas a respeito do sentido da existência e de coisas que ficaram nas entrelinhas seguindo muito além da própria vida.

Bom, o que para muitos não foi bem visto e compreendido, para mim foi bem natural e perceptível (apesar de um pouco assustador por vir dele), já que depois de tantos problemas pessoais deu-se a entender que Jim Carrey deseja finalmente dizer o que pensa, ser ouvido e levado a sério como jamais foi.

É o desejo em ser influente e se tornar uma referência pelo lado da reflexão e do pensamento, e não somente por gargalhadas fugazes. Coisas que somente a experiência e a maturidade são capazes de moldar em nosso interior.

– Por quê fazer média com imprensa ou promoters em eventos que nos faz viver uma vida envolta por ilusão, vendendo falácias? – deduzo que Jim possa ter analisado a questão por essa ótica, até para que sua mudança de comportamento faça realmente algum sentido.

Entre a loucura e a lucidez, digamos que, após 37 anos de carreira, ele transcendeu a categoria ‘ótimo ator’ para a classe ‘grande artista’, e pensando efetivamente mais na arte em si do que na remuneração que ela pode lhe proporcionar, percebeu que é sim possível ter voz e contribuir ainda mais com seu talento, influenciando positivamente com aspas que agregam bem mais à vida dos fãs do que meras caretas forçadas.

Parece que a perda da ex-namorada e a consequente depressão lhes fizeram enxergar a vida como ela é de fato. Sem glamour ou poréns naquele mágico instante em que se encosta a cabeça no travesseiro e se percebe que não se tem ninguém, mesmo após um dia rodeado por solicitações de fotos e autógrafos.

– Oras, Guifer, não consigo entender no texto qual sua opinião sobre esse ‘novo’ Jim Carrey. Uma hora você diz que tem receio de que essa tristeza aparentemente exacerbada termine em tragédia, mas em outro momento você diz que o compreende e enxerga como um amadurecimento positivo? – tu pode me questionar em pensamento.

Exatamente, querido leitor. Sua análise é perfeita. Até pela genialidade desse ator canadense torna-se quase impossível distinguir suas atuações da vida real, mesmo quando ele não está em um set de gravações.

Há um misto de sentimentos e o medo está mesmo é nessa linha que, ao mesmo tempo em que é tênue, também é extrema, até porque, nunca saberemos de forma integral o que se passa na cabeça de alguém, e não raras vezes nossas percepções estão sim completamente equivocadas.
Resumindo, minha abordagem pode ter algum sentido e também pode não ter nenhum, e isso, só o tempo nos dirá.

De qualquer forma, não há nada o que possamos compreender de fato ou fazer/ajudar à distância, então, só nos resta torcer para que as pessoas próximas cuidem com carinho do ser humano James Eugene Carrey, nosso extraordinário Jim, e que, claro, todos os problemas que o cercam se transformem em aprendizado e o façam forte para continuar nos inspirando com sua arte.

Orações bastam.
Muita Luz!

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Imagem: NPA/The Grosby Group

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